Qual é a diferença entre assistir a um filme ou assistir um seriado? Ou melhor, a pergunta mais pertinente seria, o que faz um espectador, onde estiver, optar por assistir um episódio de um seriado a um filme? Quer seja um filme/seriado baixado, alugado (locado), comprado ou que esteja passando na TV, o que o motiva?
Obviamente que determinar o que um espectador sem rosto prefere é uma tarefa, não só impossível, mas sem lógica por que temos muitos dados para levar em consideração como gênero, classe, faixa etária, nacionalidade e etc. Mas o que estou tentando apontar é o crescimento vertiginoso de downloads exclusivos para séries, nas locadoras (as que ainda perduram) novas prateleiras para essa modalidade, assim como lojas. A discussão não é realmente enumerar o quê atrai mais o quê, ou quando tudo isso tem mudado, mas suscitar o questionamento.
O que a série oferece de exclusivo é prosseguimento, é a intenção de que aquela história que tanto encantou não vai simplesmente se esvair mas terá vários pontos de virada, vários enlaces e várias nuances. Assim observamos seriados premiadíssimos
como House (seriado médico), Dexter (seriado sobre um
serial killer), Lost entre tantos outros que promovem hábitos e marcas (produtos) com muito mais retorno que muitas produções cinematográficas. Essa característica não é só possível de observar no seriado mas, de outras formas o comportamento que já vem sendo demonstrado bem na relação novela
versus qualquer outro meio de contação de histórias. Vai ver é isso, vai ver é essa necessidade de que o cinema não supre, que por mais que saibamos que se trate de uma ficção, o cinema sempre tornou possível o mais fantasioso, diferentemente da série, que mesmo sendo fantasiosa propõe o exercício da imortalidade, a sensação de que aquele personagem não envelhece e que segue intacto naquela vitrine enquanto você (no caso você sim) envelhece. Todo o magnetismo que o seriado promove é o vínculo, seja afetivo, psicológico, de identificação, que o para um personagem fílmico fica muito aquém, como um pai ausente.